Desgaste

Quando desejamos algo ardentemente, isso de certa maneira nos cega. Não conseguimos enxergar quando os problemas começam a surgir, não conseguimos ver as mudanças do outro. Tudo isso leva ao fim antecipado. Quando chegamos nesta fase, já estamos irracionais e cegos por completo, loucos e sedentos pelo desejo, guiados pelas emoções, jogando a razão para depois.
É uma fase onde discussões que nunca existiram, passam a existir quase todos os dias. Discussões por motivos banais e desnecessários. Começamos a enxergar mais defeitos e menosprezar as qualidades. Tudo parece ruim no outro e perdemos a essência do primeiro amor. O sentimento então se desgasta e nos faz sofrer de uma maneira brutal.
Ao chegar neste ponto, tudo o que queremos é distância do outro. Evitamos mandar mensagens ou até mesmo encontrá-lo. Sentimos saudades, mas não nos rendemos. Aos poucos, o casal vai de um pequeno ao gigantesco distanciamento, muitas vezes dentro da mesma casa, no mesmo cômodo. A cama se torna pequena, o toque do outro se torna um incômodo e por fim, tudo acaba.
O término que deveria ser um alívio, se torna o começo de um pesadelo. Nos primeiros dias, sentimos apenas raiva e talvez ódio. Nos sentimos traídos e abandonados e focamos apenas nos defeitos, mais do que nunca. Nos isolamos do mundo, nos negamos a ver novas pessoas ou até mesmo sair da cama. Olhamos pela janela e a vontade de socializar, ver novas pessoas e sentir novos ares passa num piscar de olhos. Choramos e contemos gritos no travesseiro. Ficamos em silêncio por horas, dias ou até semanas. O apetite diminui.
Então, em um certo dia, começamos a lembrar dos tempos bons, dos momentos felizes e a saudade bate forte. Então começamos a pensar em mandar mensagens, sentimos interesse em saber como o outro está. Pegamos o telefone, até mesmo digitamos algo, mas desistimos de mandar. Esta fase é horrível, pois mesmo sentindo vontade, não sentimos coragem para fazer algo. É então que começamos a ouvir amigos dizer “Não valia a pena.” ou “Não era pra ser.” e começamos a ver a verdade.

Aos poucos vamos voltando a interagir com os amigos, sair de casa – nem que seja para ir ao mercado – e então finalmente, conhecemos novas pessoas. Quando nos permitimos estar rodeado de novas pessoas, a vida toma novas cores e novos sabores. Uma conversa com alguém que não esteve por perto durante seu sofrimento, alguém que não vá te olhar como um coitado, nos renova as forças. Alguém que ri de suas piadas, por mais bobas que pareçam ser, alguém que te abrace e sorria ao te ver. Não estou dizendo que para curar a dor de alguém que não soube amar, necessitamos de uma nova paixão. Apenas digo que nos rodear de novas pessoas, muda tudo. Eles trazem frescor a vida, leveza.
Quando nos libertamos, deixamos de nos desgastar, libertamos também o outro. O cansaço desaparece aos poucos e por mais que pareça impossível, a cratera em nosso peito começa a se fechar. Ela nunca se fechará por completo. Por mais que nossa mente esqueça, o coração nunca esquece. Isso não quer dizer que ele sofrerá para sempre, ao contrário, ele se habitua a dor.
Quando caminhamos para longe de alguém que nos feriu, nós caminhamos para perto de nós mesmos. Nos aproximamos de nosso eu interior e o tratamos como podemos. Esse tempo recluso, em uma relação apenas entre nós e nosso eu, nos faz pensar nas atitudes que tomamos, nas coisas que fizemos ou não e nas palavras que foram lançadas ou engolidas. Talvez iremos nos questionar por que não tomamos atitude ou por que dissemos tal coisa. Mas ao final desta análise, concluiremos que tudo aconteceu como deveria acontecer, porque precisava acontecer.
Eu nunca acreditei em destino, acredito que nós mesmos traçamos a linha de nossa vida. Mas em uma coisa sempre acreditei: pessoas vão e vem em nossa vida; algumas ficam e nos dão amor, carinho, lições; algumas apenas passam pela nossa vida e levam parte de nós.
São estas as mais difíceis de esquecer. Porque de certa forma, levam grande parte de nós. É difícil de esquecer também, porque nós adoramos um desafio e idealizar o impossível.
Mas para concluir, independente das pessoas que passam, saem ou ficam em nossa vida, precisamos erguer a cabeça e seguir nosso caminho. Mesmo sob tanta dificuldade, embaixo de tanta tempestade, sempre há de existir a calmaria e o arco-íris para nos fazer sorrir.

A vida é feita de desafios e ela adora quem dança na chuva.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s