Recluso

Eu lhe disse que, deveríamos colocar todas as cartas na mesa e jogar limpo.
Não gerar grandes expectativas, evitando ilusões em grande escala.
Mas, ao evitar, nos machucamos ainda mais. Feridas que nunca cicatrizariam estavam abertas.
Expostas ao mundo, prontas para receber qualquer coisa sobre elas.
O distanciamento foi instântaneo, foi inevitável.
Juramos manter contato, nunca mudar. Juramos ser amigos, acima de qualquer coisa.
Bem, olhe só agora. Por tudo que tivemos, agimos como estranhos um para o outro.

Eu deixei de ver cores há muito tempo atrás, eu sou um coração sem esperança.
Racional. Frio. Calculista. Solitário.
Dê o nome que desejar, ele já não tem o que perder.
Ele se perdeu há tempos atrás, em meio de expectativas frustradas e decepções.
Ele se reclusou, aprendeu a viver só e dali, não pretende sair.
Talvez assustado, ele deseja apenas paz, mesmo que seja uma paz solitária.

Me perdoe, mas eu me sentia sufocada. Sua presença insistente me fazia perder o ar.
Seu desejo intenso de me querer todos os segundos ao seu lado me era insano.
Meus sentimentos esvairam após alguns meses, eu caí na rotina, no tédio.
Perdão, eu não tinha intenção de brincar com seus sentimentos,
muito menos, magoar seu coração.
Mas o problema jamais será você ou qualquer outro.
Esse peso sempre será meu.

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